terça-feira, 25 de agosto de 2015

A sua falta vai me incomodar

E foi um fim bonito, não sei ao certo se existem bons fins, mas com você foi. Sem mágoa, sem ofensas ou brigas. Foi apenas triste. Triste pela saudade das viagens que não fizemos, das exposições que não fomos, das noites que passamos juntos. Triste em ver que nos perdemos.

Deixar seu beijo pra trás nunca foi o plano, muito menos tarefa fácil, fecho os olhos e ainda te sinto, o perfume que eu gostava, o cabelo nos meus dedos e o sorriso que vinha só pra mim.

O mundo gira e talvez ele rode para o lado de cá e a gente volte a se encontrar. Talvez a caixinha escura deixe de existir. Na balança eu ganhei porque com você foi amor e o sofrimento de um fim precoce não apaga cada segundo bem vivido.

Fico com você em mim, fico com o que foi por mim, fico com boas lembranças de alguém que ainda vai descobrir que pode muito mais. Acordar sem você ainda é dolorido, ainda vai incomodar por um tempo.
Não deu tempo dela ler, escrevi na madrugada que ela partia, mas dedico minha homenagem para a minha professora de inglês favorita!
Vá em paz Querida Júlia!!!



Dear Julia,

I don't know if you remember me, but I was your student two times long time ago. Cooplem were in north 312 yet. But I want you to know that your were (and are) my favorite foreign language teacher. I remember that I love your accent and I want so badly speak like you. Well you ask me if I want to go to Canada with you, off course that I wanted, but I have a fearful mom so was not possible, too bad. I always thought that being there with you would be amazing.

In our days Lara was worried about a great friend and tell me that you're sick. But she doesn't know that you were my teacher. When she said her friend's name I just remember my passionate and favorite teacher. I used to love your classes, you were always so enthusiastic. And my fearful mom, well she is a teacher too, and also loves you too, always telling me about your very good dynamic and you abilities in education.

All this is to say to you something that I'm certainly you heard several times, but never from me. That you're are an amazing teacher and if I write in English is because you had being in my knowledge journey.

I wish you the best!
I'm sure that you're a fighter!

Please forgive my possibles mistakes! And thank you for be such a wonderful educational professional!

Tatiana Coelho

domingo, 5 de julho de 2015

E eu precisei sair

Eu preferi ser eu a fazer a escolha, preferi que dessa vez fosse eu a ir embora. Talvez por um pouco de orgulho, talvez por medo de enfrentar que não seria por mim que você mudaria. Dessa vez, era eu que saia porta afora antes que tudo virasse só mágoa.

Eu saí tantas vezes do meu mundo por você, tirei o pé nas brigas, ignorei minhas inseguranças, meus ciúmes, assumi a postura de equilíbrio porque achei que era isso que você precisava. Te dei o seu espaço, mas te procurei todas as vezes que você se perdeu em você. Me dediquei quando já nem achava que sabia o fazer por alguém.

Quis te dar simplicidade porque tudo que vinha de você era tão cheio de porquês e respostas. Tentei te mostrar que não se vive em teorias, que tudo acontece quando tem que acontecer e que é preciso ter coragem para se deixar as dores para trás. Não fui quem te sabotou, foi você e sua mania de traçar linhas em planos.

Você foi gentil, você foi amor, mas também foi só você. Você e o seu medo de se aproximar mesmo quando seu corpo e suas ações gritavam o contrário. É tão mais normal que imagina ser entre os milhares que preferem os casulos a enfrentarem os perigos de se envolver, de se arriscar, de dar chances. Foi você e só você que se perdeu, foi você que nos perdeu.


Não tenho mágoas, não me deixa raiva, só um pouco de pena, de tudo que faltou ser, de tudo que poderíamos ter sido. Eu fiz a escolha, precisava de mais, de mais de você, de um pouco mais de mim. Foi uma porta dolorida de se fechar, mas antes que o caminho entortasse precisei seguir. Não perdi em me dar, mas talvez tenha perdido você em não saber receber. Dessa vez eu que saía.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Uma pausa e um café



Em um café me lembro de como gosto da minha solidão, não sendo ilha, não apenas me bastando, mas descubro que a vida é feita também pelos compassos em silêncio. É nas pausas que lembro do meu prazer de ler por ler, de observar. Quando se desliga é que se encontra, adeus celular, por hora não.

Aquela ânsia de café para acordar se vai, não precisa produzir, não estou atrasada, nada é para agora. Aqui sou só eu e o café, a moça que lê concentrada na mesa da minha frente, uma conversa de cariocas acalorados mais na frente. No café pequeno, charmoso e com cheiro de madeira um papel amassado e um lápis encontrado no fundo da bolsa me trazem o prazer de escrever que de vez em quando se perde de mim.

Hoje perdida em uma exposição no centro da cidade vi cartas trocadas entre o maestro e o pintor, era a Rússia do início do século XX, podia-se observar a grafia, os pontos de fuga, de tensão, o desenho das curvas que as letras tomavam e me perguntei se deixaremos algum documento desses para a posteridade. Não os registros de internet, mas pedaços de papel, rabiscados, personificados, desorganizados, exclusivos, sem a homogeneização das fontes digitais. Na era das futilidades, a tríade lápis, papel e café acompanhada por um livro de sociologia da comunicação me fazem pensar que talvez ande na contramão da história.

E quando me sobram palavras e me falta tempo é hora de procurar os compassos por escrever. Na loucura de uma rotina viciada e quase estéril acabo passeando em linhas prontas, de harmonias simples, execuções conhecidas.Pode ser que sejam as férias, a cidade, ou o tempo livre, mas hoje só  mais café e pausas de muitos compassos.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Sobre recomeços



Por muito tempo fui só saudade, nunca fui atrás de você, nunca te procurei, desde o momento que você fechou a porta. Prefiro deixar as histórias de lutas para as novelas. Acredito em escolhas e a sua foi de não estar aqui e quanto a isso eu nada podia fazer. 

Mas não foi fácil te deixar ir, nunca fez parte do plano. Não querer te contar cada vitória, quando eu finalmente consegui ir à academia todos os dias ou quando eu consegui não uma, mas duas promoções no trabalho. Também tiveram os momentos ruins, quando foi a vez do meu pai ir para uma mesa de cirurgia e você não estava lá, chorei baixinho lembrando do seu suporte no câncer da minha mãe e como senti saudade dele. 

E foram muitos sofrimentos. Quando você começou a namorar. Quando ela invadiu um espaço que era tão meu. Como doeu quando você fez a viagem que era nossa. Confesso meu territorialismo, meu ciúme e até meu ego ferido, mas para mim era comigo que você combinava e doeu absurdos quando tudo mudou. Junto com você perdi muitas crenças, eu mudei, nós mudamos.

Controlei todos os meus impulsos de correr pra você. Mas agora, e só agora, dois anos depois sinto falta de me apaixonar de novo. De sentir o mesmo frio na barriga cada vez que via seu nome do telefone, de me sentir tão ridiculamente confortável e segura no caminho pro seu carro. Só agora talvez eu sinta saudade da relação e não de você. Me sabotei infinitas vezes nesse tempo, acho que ainda procurava você pelo caminho. Agora, e só agora, talvez eu possa reabrir a porta que você fechou.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

E a menina foi dançar

Não era a primeira vez que ela o via, mas nunca tinha estado tão perto. Os passos ainda eram lentos, os movimentos trocados, era muito cedo. A sala ainda não era um ambiente confortável, não tinha aquele gosto de casa, de querer ficar. Quando ele chegava perto o corpo se negava a obedecer aos comandos, as pernas bambeavam, esquerda virava direita e direita se perdia, o braço insistia em cair, a memória se apagava. Tudo parecia sair de ritmo. 

No acalanto da dança ela achou o que nem sabia que procurava, testou limites, ganhou confiança, descobriu um espaço só seu. Pernas que alcançam mais que o chão. Braços que podem desenhar linhas que tocam o infinito. E com os giros soube como é bom poder parar o tempo. Ao lado de uma barra achou o equilíbrio que não se encontra fora da dança, subiu em pontas e enxergou muito além.  Em um salão encontrou em dois a conexão que não se acha em um.

 “Mas dançar com outra pessoa, formando um par, é um ritual que exige uma espécie diferente de sintonia. Olhos nos olhos, acerto de ritmo. Hora de confiar no que o parceiro está propondo, confiar que será possível acompanhá-lo, confiar que não está sendo ridículo nem submisso. (...) É uma espécie de conexão silenciosa, de pacto, um outro jeito de fazer amor.” (Martha Medeiros)

Nunca precisou de plateia, de luzes ou palco, a dança foi só dela por anos. Mas enfrentar o palco quando já não mais achava possível a fez pensar que podia ir além, que ainda tinha um mundo todo a desvendar em rodopios e pontas fora das salas de ensaio. Se não era sua maior paixão, agora ocupava um lugar especial, talvez tardiamente, mas enfim descobria o que o corpo pedia, como ele se movimentava, como era feliz ali, como tudo era calmo, como era tão o seu lugar. 

Anos depois ela aprenderia a confiar, as pernas já não tropeçavam em si, o braço se mantinha no lugar. Ali ela tinha aprendido a se entregar, a se deixar levar por ele, ninguém nunca tomaria aquele lugar, a cumplicidade dos movimentos que agora se desenham em dois e se perdem na melodia de um salão que pode ser infinito mas cabe em uma só harmonia, de um abraço. Agora, tudo ali parecia entrar no ritmo.

domingo, 13 de julho de 2014

Eu não xingaria, e você???

Depois de assistir o produzido pela TV Folha sobre os ditos “yellow block”, me questionei alguns pontos extremamente conceituais sobre política. Nem entro na discussão dos supostos problemas relatados pelas criaturas do vídeo, sobre a falta de exclusividade ou qualquer outro mi mi mi que tenham dito, até porque segundo o Relatório de Riqueza Global publicado pelo Credit Suisse, os efetivamente ricos brasileiros representam 0,2% da população, não estou mesmo interessada em seus respectivos entraves. Mas uma das perguntas da entrevista era sobre o xingamento da presidente na abertura da Copa no último mês, as respostas foram o reflexo do senso comum de quem leu pouco e formou opiniões nas redes sociais com os replicadores de conteúdo.

A discussão sobre cidadania está muito longe de ser simples, mas há alguns pontos consensuais, um deles é que ela tem como condição de existência a participação popular, se entendermos aqui que cidadania consiste no livre exercício de direitos e deveres de um indivíduo que o possibilitam a participação na vida social. Assim, quando se coloca alguém à margem do processo pelas deficiências educacionais se compromete diretamente o exercício da cidadania. Por isso José Murilo de Carvalho defende que a desigualdade social é a nova escravidão.

E por falar em educação e em liberdade de expressão, chegamos à política, não a dos partidos, mas aquela que fala sobre possibilidades de regimes. No Brasil, somos uma república presidencialista, ou seja, o presidente exerce as funções de chefe de Estado e de Governo. Um Chefe de Estado é o mais alto representante público de um Estado-nação, cujo papel inclui geralmente a personificação da continuidade e legitimidade do Estado e o exercício de poderes, funções e deveres atribuídos ao chefe de Estado pela constituição do país. Ou seja são a personificação do país frente às instituições internacionais. Um Chefe de governo é uma posição ocupada, num sistema parlamentarista/presidencialista de governo, pelo indivíduo que exercerá as funções executivas e/ou a função de chefiar o poder executivo.

Simplificando, Estado é o Brasil, por uma questão de soberania e por vias constitucionais, esse preservamos e respeitamos. Governo, podemos discordar ou concordar, e temos por dever vigiar e questionar sempre. Porém, vivemos em um regime democrático, ou seja quando mais ou menos 56,05% do país vota em alguém, 52 milhões de pessoas, o poder é legítimo e há um pouco de exagero, quando a mostra de um estádio com 70 mil pessoas é entendido como insatisfação do “povo”, numa conta rápida, representam uma fração bem pequena.


Tudo isso poderia ser resumido em simplesmente dizer que mandar alguém “tomar no c*”, não é protesto nem em porta de escola primária. A insatisfação é absolutamente legítima, a forma de protesto foi lamentável. Mostramos ao mundo que o país não respeita - e digo respeita e não apóia, que são coisas diferentes - sua maior autoridade. Sabe aqueles manifestantes que você classifica como baderneiros? Sabe os ladrões que você acha que podem ser amarrados em postes ou linchados? Sabe o que faltou neles? Educação política. Sabe o que faltou naqueles que xingaram a presidente para o mundo todo? A mesma coisa. Só que os 0,003% da população que estava ali frequentou boas escolas, tem acesso a internet, livros, ensino superior e teoricamente deveria saber sobre soberania nacional, democracia, cidadania...