terça-feira, 8 de setembro de 2009

Namorado!

Ele chegou quando ela nem mais acreditava que poderia ter alguém assim. Andava machucada e com vontade de se esconder do mundo, mas ele chegou assim, como quem não quer nada, como quem tem o timing perfeito da vida.

Na sua mais absoluta falta de confiança, ela achou que jamais poderia ter qualquer coisa dele, muito menos um relacionamento. Para ela, ele era só um carioca descolado tentando achar uma paquera interestadual e passaria como uma chuva de verão. Ela se enganou.

Ele chegou como quem chega na contramão, provando que tudo poderia ser diferente. Mérito dele, muita dedicação, ligações, mensagens, emails e a música que foi o que uniu os dois. Ela foi colocada na vida dele. Ele reservou um espaço que ela não estava acostumada a ter na vida de ninguém há muito tempo.

Ela se assustou. Ela sempre teve medo de se entregar e mais ainda quando ele estava a quilômetros dela e o que se sabia era muito pouco e o risco de dor muito alto. Foi convencida, sentiu falta e viu que ela já gostava dele, mesmo tentando encarar a situação com racionalidade.

Descobriu que não sabe lidar com as sutilezas de uma “vida a dois”, mas a possibilidade de perder a fez querer aprender. Passou por provas, ficou nervosa, chateada, tensa, teve DR e tudo que um namoro tem. Ele também teve seus pormenores. Ela é só uma garota tentando virar de vez uma mulher.

A essa altura viu que já não podia correr, mais ainda, que não queria fugir como sempre fazia, porque agora ela namorava e gostava de como isso soava. Ele fez com que ela mudasse, que se entregasse, que voltasse a acreditar. Ele veio como quem tem o timing perfeito da vida.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Me IRRITA! - parte 2

Mais uma da série “O que me irrita”. Então, cachorro me irrita, mais especificamente cães de pequeno porte. O diabo do bicho não serve para absolutamente nada, não guarda nem caça, só serve para fazer barulho e muito. Aquele latido estridente e continuo que é capaz de tirar o juízo de alguém.

Mais do que os pequenos cães, os donos me irritam. Nossa Senhora da Falta de Senso! Uma manhã dessas, estávamos eu, meu livro e um chocolate quente em um café da cidade. Eu ali, amando minha leitura, minha paz, uma cena quase bucólica, quando de repente chega um monstro por nome “Beca” e sua dona. Como um maldito poodle faz tanto barulho???

A falta de senso já começou na chegada, a dona queria que uma das garçonetes segurasse a monstrinha enquanto ela ia escolher o pedido dentro da loja. Ah se fosse comigo eu respondia na lata: “Senhora, minha remuneração não inclui serviço canino!”.

Enfim a dona amarrou a cachorra em uma pilastra e entrou no café. Pronto foi o maior escândalo de todos os temos, nunca achei que um latido pudesse ser tão alto. À essa hora nem a mais concentrada das criaturas conseguiria ler. Desisti do meu livro e fiquei assistindo a confusão da cachorra.

Eu, a moça da mesa ao lado e as garçonetes, todo mundo se entreolhando. Na verdade, apostando para ver quem matava a poodle dos infernos primeiro, e nin-guém no mundo poderia culpar, porque o latido era enlouquecedor. Ah esqueci de dizer que velhinha, dona da Beca, estava acompanhada de outra senhora com outro poodle, e eles não podiam ficar juntos, imaginou o caos???

Eu sei que as garçonetes tentaram acalmar a criatura canina, a moça da mesa ao lado se irritou e pediu silêncio para a cachorra de uma forma bem educada: “Cachorra você vai apanhar”. Mas nada abalou a Beca e sua dona.

Enquanto ela comia, a cachorra latia porque queria participar da divisão das empadas. Depois a dona foi pagar e Beca latia sentindo a distância. Enfim, a maldita não parou e mesmo quando foram finalmente embora, eu ainda podia ouvir o cão latindo do outro lado da rua. Sério, coitados dos vizinhos da poodle. Numa boa, para que alguém tem um poodle???

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Fica mais complicado

Não sei se a gente cresce e fica burro, ou se crescemos e ficamos mais inteligentes e por isso complicamos tudo. Lembra quando tudo era simples? Víamos o garoto, a mão suava, a barriga doía e só enxergávamos ele. Ah e éramos capazes de morrer se ele ficasse com outra, mas também abaixávamos a cabeça se ele nos olhasse. Tudo era uma questão de sim e não, sem talvez, sem procurar defeito.

Antes era gostar e pronto era aquilo, sem dúvidas, sem dramas. Mas de repente tudo é muito mais complicado. Aprendemos a fazer uma tabela mental para tomar decisões, pensamos nos prós e contras e ficamos medrosas. Eu mesmo sou a rainha da avaliação, penso tanto que me canso as vezes, escolho critérios, imponho restrições, eliminações e classificações.

Eu tenho medo de sofrer, de insistir onde não devo, de me declarar e não me venha com o papo de “o não você já tem”, que não é simples assim. Sei que não tenho o controle de nada e o que o dono dos acontecimentos é o tempo, mas gosto da falsa sensação de que eu decido a minha vida, ou pelo menos tento, tomando as melhores decisões – ao meu ver.

Antes a gente só queria passear de mãos dadas, uns beijinhos. Agora tem que pensar no futuro do cara, em como ele trata as pessoas ao redor dele, se daria um bom pai, um bom marido, se está disposto a crescer com você, se não é machista, se gosta de você o suficiente e o mais importante se você gosta dele o bastante.

Não sei mesmo se gente grande é esperta, mas sei que a mudança que ocorre entre infância e vida adulta é a quantidade de “medos”, “talvez” e “se” que aparece nas nossas cabeças. Acho que a gente cresce e fica burro, quem sabe.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Vale a pena

O trabalho das estilistas da marca brasiliense "Se Essa Roupa Fosse Minha" merece muita atenção. Não entendo de moda, mas entendo do que eu usaria e as coleções delas tem sempre um toque de simplicidade e muito bom gosto. Ah e as donas da marca, Romilda Gomes e Priscila Bosquê, são umas fofas. O trabalho merece ser visto!
Mulheres, as roupas são sensacionais! http://www.seessaroupafosseminha.com.br/

Segue a matéria que fiz sobre o desfile na mostra de moda da cidade!

Beijoss
Tati

Se Essa Roupa Fosse Minha

A marca Se Essa Roupa Fosse Minha encantou o público e trouxe uma reflexão para a passarela: O que fazer com o tempo?. “Temos cada vez menos tempo e não há como recuperá-lo”. A frase da veterana de Capital Fashion Week, Romilda Gomes, defini o tema do trabalho, junto com a sócia Priscila Bosquê, apresentaram a coleção intitulada Tempo Real.

A inspiração para a definição do tema da coleção veio da inquietude das estilistas com a falta de tempo da sociedade moderna. “Tentamos sempre trazer como tema algo que está nos angustiando, dessa vez foi o tempo. O tempo age sobre todos nós e cada vez temos menos tempo, temos que priorizar o que fazer com ele”, explicou Romilda. Durante o desfile, um vídeo com cenas de uma grande cidade foram exibidas no telão. O filme mostrava o trânsito caótico e o corre-corre de uma metrópole.

A marca existe há quatro anos e desfilam pela quinta vez no CFW. "Além de sermos sócias, somos amigas e nosso trabalho está sempre se modificando, nosso trabalho está sempre amadurecendo", explicou Romilda. As estilistas contam com o apoio do Sebrae e do CDT Unb. “Tivemos ótimos parceiros, sem eles não seria possível fazer o desfile por mais que tivéssemos muita vontade”, agradeceu Romilda. Para elas mostrar o trabalho no evento é uma ótima vitrine. “O CFW é um excelente parceiro nosso e sempre nos apoio muito”, contou.

Os assessórios utilizados no desfile são da design Andréia Tibério. "Ela foi ótima, fez tudo do jeito que a gente queria, ela tem uma sensibilidade incrível para entender a nossa proposta", disse Romilda. As duas contaram ainda que são envolvidas com tudo que é ligado à moda, além de estilistas são professoras do curso de moda de uma faculdade e produtoras. “Não conseguimos separar muito bem as áreas”, contou.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

My first!

Eu sempre fui meio atrasada, na verdade aprendi depois de alguns anos que para mim não adianta tentar apressar as coisas, a minha vida tem um tempo só dela. A vantagem é que alguns acontecimentos se tornam especiais exatamente por chegarem na hora certa. Assim foi o meu primeiro beijo, nem vou contar quão velhinha eu era, ninguém sabia que eu nunca tinha beijado.

Sempre fui atrasada, mas bem espertinha, logo não ia me entregar assim. Minhas amigas todas, ou quase todas, já tinham ficado e uma ou outra até namorado. Se eu falasse ia virar o centro das atenções e desde novinha sempre preferi a esfera privada. Eu vivia bem com os meus medinhos e inseguranças, não precisava da pressão alheia.

A graça é que meu primeiro beijo nunca soube que era “meu primeiro”, por mais desajeitada que eu fosse. Éramos amigos -ainda somos - e o nosso grupinho nos via como um potencial casal, acho que começamos a acreditar e a gostar da brincadeira. Era tudo tão amorzinho de infância, com todos os desencontros, sendo que ele já tinha piriguetado (não sei se o termo se aplica a nossa idade da época, mas...) pela escola e eu não.

Eu lembro como se fosse hoje, ele tinha tudo tão planejado, eu vi tudo e me deixei ficar completamente vulnerável (antigamente eu era mais mulherzinha e era fácil fazer isso). No dia D, nós fomos fazer prova às oito da manhã em um shopping, a escola toda. Ele chegou lá com uma caixa na mão, o que aguçou a curiosidade do público, mas ele não revelava o conteúdo por nada.

Depois da prova ficamos para o cinema, não mais que de repente eu caí (ou fui jogada) pro lado dele. Eu sabia onde chegaria e estava completamente nervosa, já tinha chegado no quase algumas vezes com ele, já tínhamos até feito papel de cupido – muito eficiente, por sinal- para outro casal. Fiquei ali, esperando, passiva, até que ele me revelou o conteúdo da tal caixa, era uma rosa -pausa para o suspiro! Não, eu não gosto de flores, mas dessa eu gostei. Lembro que me engasguei na hora de agradecer, a voz tremeu e eu a guardei – até hoje ela existe.

Não consigo medir o tempo entre pegar a rosa e sentir a boca dele, mas lembro de todas as sensações. Me senti desajeitada, com medo que ele descobrisse que era meu primeiro, uma hora eu sentia frio, dois segundos depois estava suando, tudo tão misturado que eu já nem sabia se estava gostando ou não. Depois as sensações físicas, língua, boca, o abraço, era muita coisa passando pela minha cabeça.

Eu lembro até das nossas roupas no dia. O mais divertido do meu primeiro beijo é que foi seguido de ligações, presentinhos, cartinhas e coisas legais na escola. Até eu estragar tudo. Sim, eu aprendi que só me ferro em relacionamentos bem cedo. Quando veio a proximidade do namoro eu fugi, arrumei mil e um defeitos, dei uma desculpa qualquer virei de costas e fui embora.

Ele nunca entendeu e me perguntou anos mais tarde, eu enrolei mais uma vez. Ele gostava de mim e eu dele, essa era a verdade, mas eu era menina demais pra entender o que estava acontecendo, por mais que me achasse a mais emocionalmente inteligente de todas. Era só uma adolescente medrosa que fugiu feito ratinho quando a coisa ficou séria. Me arrependo e faria sim algumas coisas bem diferentes.

Foi junto com o meu primeiro beijo que veio a primeira crise de ciúme, a primeira DR, as primeiras mensagens de madrugada, as primeiras arc inimigas. Aprendi muita coisa com ele e sei que ele comigo. Temos uma ligação especial, uma amizade bacana, torcemos um pelo outro, apesar de hoje termos rotinas completamente separadas. Mas ele ainda não sabe que foi o meu primeiro, nem sei se um dia vai saber.

A verdade é que eu me sinto bem sortuda porque meu primeiro beijo foi bem do jeito que tinha que ser, com meu atraso recorrente e absolutamente perfeito.

sábado, 11 de julho de 2009

Vai sim, vai ser sempre assim

Saudade vem sem avisar, sem aviso-prévio, sem perguntar se é a hora certa ou ainda se estamos prontos para aguentá-la. Saudade não se importa com os erros do passado, se estamos prontos para perdoar, se é tempo de seguir em frente, ela simplesmente aparece. Surge nas horas mais impróprias, bem naquele momento em que você achava que estava tudo bem e que finalmente tinha parado de doer.

De repente vem a falta. A falta que ele te faz, a vontate de ter por perto, as lembranças dos momentos bons e até dos ruins. O riso frouxo, as lágrimas soltas, a raiva da saudade que nem mesmo deveria ser sentida. Dois passos a frente e se sente que andou para trás, porque por hora parece que nada foi o sufiente. As horas em profunda reflexão pensando que tinha mesmo que colocar um fim são perdidas.

Não o esqueceu, ainda quer ele ali, para ouvir seu dia, para tentar resolver os problemas que você nem quer solucionar, ainda quer ser mimada, ainda quer se sentir especial. Não o perdôou, não apagou os acontecidos, não pretende adminitir, ou confessar, não quer mexer com o passado. Mas ela vem sem avisar e se instala, saudade vem sem aviso-prévio.

"Vai sim, vai ser sempre assim
A sua falta vai me incomodar,
E quando eu não agüentar mais
Vou chorar baixinho, pra ninguém ouvir.

Vai sim, vai ser sempre assim,
Um pra cada lado, como você quis
E eu vou me acostumar,
Quem sabe até gostar de mim.

Mesmo que eu tenha que mudar
Móveis e lembranças do lugar,
O meu olhar ainda vê o seu
Me devorando bem devagar.

Vem, que eu ainda quero, vem.
Quando menos espero a saudade vem
E me dá essa vontade, vem
Que eu ainda sinto frio
Sem você é tudo tão vazio
Vem me dar essa vontade,

Vem que esse amor ainda é meu.
Troco todos os meus planos por um beijo seu
E essa noite pode terminar bem"

(Eu Espero- Luiza Possi)