Era para ser um show épico, uma linda orquestra, uma excelente banda base, um bom elenco e uma péssima produção. Direção artística que vergonha alheia senhores. Por que não contaram a história do Renato através de suas músicas? Por que não usaram os telões com imagens do cantor durante as trocas de palco? Dado Vila-Lobos? Marcelo Bonfá?
Os problemas da produção começavam na entrada. Lá, e só lá, descobri que tinham pedido que as pessoas fossem de branco e doassem agasalhos. Filas, dificuldade de achar os portões corretos. A terminar com a simples ausência de latas de lixo. O Rafinha Bastos escreveu no tweeter que "homenagem é diferente de sacagem", a grande sacanagem foi com o público.
O som foi um capítulo à parte, absolutamente sofrível o show inteiro, equalização errada, excesso de reverberação, até agora acho que a Sandra de Sá cantou de dentro do banheiro. Por alguns momentos acho que nem os artistas se ouviram. Ouvi muito pouco, ou quase nada, da orquestra. E senhores artistas, que tal ensaiar antes de subir e encarar uma plateia que conhecia as canções em detalhes?
Por fim, senti vergonha de alguns artistas, orgulho de outros. Palmas para coragem do Alexandre, carisma da Ellen, graves do André Gonzales e claro o elegante bandolim do Hamilton sempre impecável. Ainda não sei qual foi o objetivo de colocar o Negrete encerrando o show tocando "Que país é esse?". Mas o ponto principal do show e o que fez tudo valer a pena foi a emoção das pessoas, ver como o Renato Russo ainda mexe com Brasília, que cantou e gritou a plenos pulmões as canções que marcaram uma geração. A sorte da produção foi o repertório, obrigada Renato.
Holograma Renato Russo
domingo, 30 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
12 de junho
Queria muito que meu ceticismo não beirasse o inaceitável.
Que essa minha postura cínica sobre as benfeitorias humanas me desse algum espaço.
Mas quando saio do texto e entro no contexto em datas como a de hoje me deparo
com a minha descrença e ela ganha força e amplitude. Nem certa, nem errada. Tão
pouco melhor ou pior, mas do único jeito que concebo o ser, com todos os paradoxos do sentido
existir. Só acredito que se é para amar
que seja o ano todo.
Não faça declarações magnânimas em um dia e corra no dia
seguinte, ou ainda no mesmo, para o “mundo proibido” que cantava o Zeca. Na
brincadeira do politicamente correto tem floricultura ganhando milhões e casal
fazendo tanto préstimo social que anda esquecendo de viver. Me pergunto se
ninguém briga mais pela maldita pasta de dente destampada na pia do banheiro.
As mentirar sinceras andam interessando muito. A
supervalorização do bonitinho anda subvertendo uma lógica que diz que amor é
outra coisa. Amor não se prova em outdoor ou em propaganda de TV. Amor se prova
na rotina, no acordar diário, com atenção. Amor se prova em fila de espera de
hospital, em lágrimas roladas, em abraços apertados, nos anos que passam. Amor
é altruísta, desinteressado, não pede nada em troca, se enobresse no bem estar
do outro, não procura palco, mora no singelo.
Me agarro aos modelos que dão sentido a vida, que aprenderam
a compartilhar, que aceitaram de fato o compromisso e decidiram pelo
relacionamento. Aquele que se constrói todo dia. Minha bandeira não é a dos
solteiros, menos ainda a dos casados, mas é a dos felizes. A felicidade e a
arte de ser só um, inteira e plena, para um dia, talvez, se transformar em dois,
três ou quatro ou mais. Se meu cinismo limita ideias românticas que vençam os
sapos charmosos e com caráter. Nem certo, nem errado, da maneira mais exata que
puder. Feliz 12 de junho.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Voluntariado e eu
Não tenho
nenhuma dúvida ao afirmar que o Sonhar Acordado me transformou na profissional
que sou hoje. As habilidades que uma festa organizada para 500 crianças exigem
são infinitas, sem equipe não somos ninguém, sem bons líderes a festa desanda.
Foi ali que aprendi sobre gestão, sobre visão sistêmica, sobre cronograma,
orçamento e principalmente a me adaptar, a responder a demandas imediatas sem
(muito) pânico. E ainda apresentar o trabalho voluntariado a pessoas com
vontade de fazer algo por alguém.
Nunca soube
se efetivamente modifiquei a vida de alguma criança ao longo desses quase dez
anos de Sonhar Acordado, mas hoje sei perfeitamente o quanto elas modificaram a
minha. Assisti o crescimento de algumas delas, mesmo vendo uma, duas vezes por
ano. Receber o abraço “tia, você lembra de mim?” e ver que o “sobrinho” já
beira a minha altura sempre foram momentos que não abro mão. E elas nos
conquistam sempre, no olhar pidão, no sorriso largo, no beijo tímido, até no
choro ou no piti de menino danado, o que conta é a sinceridade.
Mas não foi
só com as crianças que aprendi em todo esse trabalho. A cada festa, os
voluntários me surpreendem, chegam com uma disposição de ajudar que não se vê
em nenhum outro lugar. Dirigem para lugares distantes, carregam peso, viram
decoradores, cerimonialistas, animadores, juízes de futebol, garçons e o que
precisar. Nessa hora, eu acredito em boas pessoas, não é dinheiro que doam, é tempo,
é vontade de fazer o bem, de sair da zona de conforto.
No último
evento, após desembarcar o último ônibus me dei o direito de sentar e observar
a festa. Uma dupla me chamou a atenç ão, bem no meio da quadra. Era uma das
meninas da Casa Transitória, mais velha, uns 13 anos talvez, mas bem infantil
ainda, uma idade difícil de lidar dentro do Sonhar, não é todo voluntário que
tem habilidade. O “tio” mostrava uma simbiose absolutamente perfeita, não era
nada inacreditável, eles dan çavam e riam, um riso gostoso, leve, divertido.
Fiquei ali, olhando os sorrisos e lembrando porque eu gosto tanto de ficar com
a coluna doendo, joelho inchado e braços doloridos, porque todo stress só vale
exatamente para ver aqueles dois sorrisos. Chorei. E ri também.
No fim do
dia, o espetáculo é outro, é assistir os “tias” e “tios” encantados por suas
crianças, que as seguram até o último minuto, que se pudessem não mais se
despediriam dos pequenos. Ali, aprenderam que elas na verdade não precisam de
nada, só de carinho, de atenção. Podemos até não conseguir transformar a vida
das crianças, mas os voluntários eu tenho certeza que o Sonhar muda. Não tenho
nenhuma dúvida ao afirmar que o Sonhar Acordado me trouxe muito do que sou hoje
e agradeço todos que sonharam e sonham juntos.
domingo, 24 de março de 2013
Dia da Mulher
A
origem do dia ainda não se sabe ao certo, mas o histórico de lutas, esse não
deixa dúvida alguma. O dia 8 de Março é, desde 1975, comemorado pelas Nações
Unidas como Dia Internacional da Mulher. Data para homenagear aquelas que geram
a vida e relembrar trajetórias. O senso comum define como marco da data as
manifestações das mulheres russas por melhores condições de trabalho e contra a
entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Entretanto a ideia de
celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século
XX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas de mulheres por
melhores condições de vida e pelo direito de voto.
No
Brasil, o sufrágio feminino só foi alcançado em 1932, mas temos notícias de
mulheres que conseguiram o direito ao voto em 1881 e em 1926. Apesar do cargo
máximo da República ser ocupado por uma mulher, a atual participação feminina
brasileira nas esferas do poder ainda é baixa. Em um ranking que avalia a
penetração política por gêneros em 146 países, preparado pela União
Interparlamentar, o Brasil ocupa o modesto 110º lugar, atrás de nações como
Togo, Eslovênia e Serra Leoa. Embora representem 51,7% dos eleitores brasileiros,
a participação das mulheres na Câmara dos Deputados é de 9%, número semelhante
aos 10% registrados no Senado
De
acordo com o IBGE, a mulher brasileira vem aumentando sua participação no
mercado de trabalho no Brasil nos últimos anos. Contribui para isso o aumento a
da escolaridade feminina e as mudanças nos padrões culturais. Mas as
brasileiras ainda são minoria no mercado de trabalho e ganham menos que os
homens, em média. Menos de 14% dos cargos de diretoria das 500 maiores empresas
do Brasil são ocupadas pelo sexo feminino. Em relação aos salários, as mulheres
obtêm renda anual média de R$ 1.097,93, enquanto os homens atingem R$ 1.518,31,
de acordo com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). A diferença ocorre
mesmo quando a mulher tem 11 ou mais anos de estudo. Quanto aos profissionais
têm curso superior, os homens chegam a ganhar cerca R$ 1.653,70 a mais do que
elas.
Em
2006 foi sancionada a lei 11.340, conhecida como lei Maria da Penha, na eterna
busca de por fim a violência contra a mulher. Desde 2009, o Sistema de
Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, é
obrigado a registrar todos os casos de crianças, adolescentes, mulheres e
idosos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em decorrência de maus-tratos
ou violência. Em 2011, o sistema notificou 73.633 atendimentos. Aproximadamente
duas em cada três dessas pessoas socorridas pelo SUS são mulheres.
O
Mapa da violência 2012, homicídios de mulheres no Brasil, publicado pelo
Instituto Sangari em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências
Sociais (Flacso) mostrou que cerca de 68% dos homicídios são cometidos na
residência da vítima. Isso porque, em 86,2% dos casos, o assassino é alguém da
família ou próximo. Os parceiros ou ex-parceiros respondem pelo índice mais
alto, 42,5%, sendo que, entre mulheres de 20 a 49 anos, eles são responsáveis
por 65% das agressões. Segundo o mapa, as notificações do Sinan representam
apenas a ponta do iceberg das violências cotidianas, pois são registrados
somente os casos de pessoas que recorrem ao SUS, assim um enorme número de
violências domésticas nunca chega à luz pública.
Não
se sabe se de fato as grevistas russas foram tragicamente assassinadas dentro
da fábrica, mas fica o símbolo, a imagem da luta por direitos. Mulheres não são
importantes por serem mulheres, mas por serem senhora dos paradoxos. Por serem
subjugadas, sofrerem preconceito, acumularem funções e mesmo assim levantar
todos os dias em busca de tempos melhores, em uma esperança que só ela é capaz
de ter. Por terem um semblante frágil, mas serem capazes de suportar todas as
dores do mundo. Por viverem na eterna dicotomia entre ser excelente
profissional e se culpar quando o filho sente a sua falta. E por serem especiais a vida toda, terem o
maior coração do mundo e simplesmente por merecerem ser celebradas. Feliz dia
Internacional da Mulher.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Pode ser...
Pode ser que seja essa dor de cabeça imensa que não quer passar ou a alergia que resolveu se instalar. Pode ser só que eu esteja mais frágil hoje ou mais insegura. Pode até ser o calor que anda fritando juízos, ainda nao achei nenhuma elucidação genial, mas a verdade é que senti saudade. Dessas que se sente apertado e deixa escondida, que não conta pra ninguém para não aumentar, porque parece que ela quer sair e fazer um escândalo.
Ainda preciso abandonar essa mania de querer. Essa força maluca que faz meu pensamento chegar em você toda vez que fecho os olhos, que leio qualquer coisa ou vejo algo na rua. Apaguei fotos, desapareci em redes sociais e em tudo que continha o botão “deletar”. Detesto mais quando invade meus sonhos, porque você já fode as minhas horas acordada, as dormindo que sejam minhas e só minhas.
Preciso acreditar que outro de você vai aparecer e ocupar esse espaço imenso que deixou. Me apego a isso, porque senão vou ter que aceitar minha amargura ao pensar que relacionamentos não são pra mim. Não porque eu me ache inferior, pelo contrário, sou infinitamente melhor que a minha vizinha. Mas por não ter vocação para Amélia, nenhuma censura nas minhas opiniões, um humor ácido e não me legitimar pela presença masculina. Não preciso do dinheiro dele, tão pouco que resolva a minha vida, disso eu mesmo cuido.
Preciso que venha com uma lista de qualidades e outra maior ainda de defeitos, que no fim das contas queira estar, decida estar e somente por estar, apenas por gostar. Porque no fim do dia é o que conta, se interessar em banalidades e nas miudezas que fazem a vida mais leve. Ouvir meus devaneios e verbalgias, saber a hora de fazer calar
Já aprendi a não ligar para sapatos feios e aceito algumas manias. Erros de português ainda fazem meu coração quebrar, mas nem tudo é relativo. Nao quero os mulecotes cheirando a leite, nem os "el comedores" com papinho de sempre, nem os velhinhos que desaparecem. Respeito minha inteligência, cansei de convites cretinos e gente que quer passar. "Ou soma, ou some" o que me joga na vala da absoluta descrença.
Pode ser que seja medo de nunca mais querer ficar, pode ser que seja essa minha mania de não gostar de voltar. A verdade é que eu me sentia segura porque você tinha me tirado da incredulidade e eu tenho uma saudade dolorida dessa fase. Não, ela não vai gritar, pelo menos isso eu ainda controlo, deixo aqui quieta até passar, até eu abandonar essa mania que insiste em querer voltar.
Meu Rio é assim
Deixo sempre um Rio de saudades, por aqui
renovo esperanças, acredito no novo e espero por dias melhores. Se há
uma certeza é que era por aqui que eu devia ter nascido, vivido, mas
algo me deixou só olhando de longe, como se contemplasse uma obra de
arte até ela ganhar sentido. Como diria o poeta tem um "não-sei-o-que de
beleza" nas ruas estreitas e prédios antigos, no centro conturbado, no
metrô lotado e nas calçadas cheias de
turistas. Não sei se é a mistura de gente ou a atmosfera carioca, mas
sei que aqui sou mais feliz.
Não contemplo um Rio de perfeição, admiro um Rio de contrastes, de pobreza, de sujeira, de ausência de infra-estrutura. Uma cidade que cresceu - e cresce - além de sua capacidade, que abraça mais gente do que pode. Choro com os cariocas a corrupção do governo, da polícia, das instituições, o descaso das autoridades em conservar o local que escolhi como meu. Compartilho as manias cariocas, o "imagina na Copa", que além de um jargão é uma real preocupação em oferecer o melhor a quem vem de fora, porque cariocas sabem receber, mesmo com toda marra e educação peculiares.
Ainda me emociono quando escuto "ué, mas você não é carioca?", talvez eu seja mesmo. A cada viagem conheço mais um pedaço do antigo estado da Guanabara pra chamar de meu, me apaixono mais pelos amigos que fiz por aqui. Talvez por isso não tenha chegado minha hora de trazer as malas permanentes, ainda há muito por ver. Sinto falta da minha casa, mas em nenhum outro lugar do mundo me sinto em casa como aqui. Deixo um Rio com uma lágrima no canto do olho e uma mala repleta de saudades.
Não contemplo um Rio de perfeição, admiro um Rio de contrastes, de pobreza, de sujeira, de ausência de infra-estrutura. Uma cidade que cresceu - e cresce - além de sua capacidade, que abraça mais gente do que pode. Choro com os cariocas a corrupção do governo, da polícia, das instituições, o descaso das autoridades em conservar o local que escolhi como meu. Compartilho as manias cariocas, o "imagina na Copa", que além de um jargão é uma real preocupação em oferecer o melhor a quem vem de fora, porque cariocas sabem receber, mesmo com toda marra e educação peculiares.
Ainda me emociono quando escuto "ué, mas você não é carioca?", talvez eu seja mesmo. A cada viagem conheço mais um pedaço do antigo estado da Guanabara pra chamar de meu, me apaixono mais pelos amigos que fiz por aqui. Talvez por isso não tenha chegado minha hora de trazer as malas permanentes, ainda há muito por ver. Sinto falta da minha casa, mas em nenhum outro lugar do mundo me sinto em casa como aqui. Deixo um Rio com uma lágrima no canto do olho e uma mala repleta de saudades.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Participações impróprias
Nunca fui muito fã de espaço para comentários nas notícias.
Li inúmeros artigos sobre participação do leitor, sobre como o futuro do
jornalismo depende da interação, mas insisto em pensar que o público ainda não
está pronto para tal, exemplo claro de tal afirmação é a enxurrada de erros
ortográficos e cretinices disparadas pelo facebook. Como boa criatura curiosa
me dou por vezes o trabalho de ler comentários, geralmente os do portal G1, que
é um site jornalístico grande e confesso que ainda me sinto horrorizada com o
que leio, principalmente ao lembrar que os comentários são moderados.
Essa semana li sobre o assassinato de um turista no litoral
de São Paulo por uma menor de 14 anos, o crime foi um latrocínio, roubo seguido
de morte, o espanto em torno da crueldade da menor é notável, mas os
comentários enveredavam para uma crueldade talvez pior do que a da menina.
Comentava-se sobre pena de morte, sobre diminuição da idade penal, direitos
humanos, estatuto da criança e do adolescente e pasme sobre invasão nordestina,
castração química, esterilização, e a usura dos recursos paulistas. Um dos
comentários sugeria colocar “anticoncepcional na água” para evitar a concepção
em jovens pobres.
Se existe algum tipo de dúvida sobre a existência de
preconceito seja ele racial, social, econômico e até regional é facilmente
resolvível, é só se dar ao trabalho de ler algum tipo de fórum que expresse
discussões rasas, infundadas e com esse sentimento de revanchismo que comanda a
sociedade. É a ideia do levar vantagem, de pagar na mesma moeda, que por horas
beiram uma espécie de xenofobia, em que parte da população se acha prejudicada
pela existência dos mendigos, das políticas afirmativas, dos movimentos
migratórios, resultado de análises precárias e absoluta ignorância.
Quando falo em ignorância o faço com a certeza de não haver
termo melhor, porque os que falaram sobre os nordestinos que “sugam” os
recursos paulistas esqueceram de ler a pesquisa do IBGE que diz que a produção
industrial paulista declinou no último ano enquanto que a nordestina foi
destaque na formação do PIB nacional. Também não leu a pesquisa sobre migração
que indicou uma taxa elevada de emigrantes no estado paulista e não o
contrário. Quem fala em controle de natalidade com castração química
devia ir preso e ser castrado.
A falta de proporção nas ameaças disparadas
contra a menina beira o irracional. Não sou nenhuma grande defensora dos direitos
humanos, mas avalio contextos, falta de educação, estrutura familiar e
perspectivas de futuro causam problemas. Com 14 anos, a adolescente tem sim
juízo do que estava fazendo, não é de forma alguma inocente, mas a noção de
certo e errado foi adquirida na rua, os valores foram formados sem a devida
orientação. Diminuir a idade penal e inchar os presídios é solução? Nosso
sistema prisional é caótico, não comporta nem o que tem. Instaurar a pena de
morte resolveria? Se matar gente fosse solução, a Alemanha seria potencia
mundial hoje, as ditaduras seriam regimes fantásticos de governo.
No caso, aparece a figura de um homem que vê o carro e
convoca a menor, o aliciador, reflexo da falta de escrúpulos que chegamos,
quando crianças são armas dessas mentes criminosas e hábeis. É um soco na cara do país que não é capaz de
educar suas crianças e as deixa sujeitas a esse tipo de situação. Enquanto se
acreditar que para quem não tem nada qualquer ajuda é suficiente e que
resignação é um sentimento infinito assistiremos casos assim. Nunca fui muito
fã de espaço para comentários nas notícias, mas de vez em quando rendem boas
discussões.
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