No princípio era o silêncio. Nada se escutava, nada produzia som. Quando Deus em sua infinita grandiosidade vagava pela escuridão profunda de um mundo ainda por fazer. E numa mistura de luz e energia o mundo foi criado e Deus colocou as mais diversas criaturas no paraíso recém formado pelo encontro harmonioso de elementos.
E veio o primeiro homem, Athos. Forte, viril e perfeito em sua criação, mas solitário. E Deus viu que era hora de criar a mulher, Isa, sensível, meticulosa e absolutamente perfeita em sua criação. Isa passeava ao sabor do vento, dedicava seus dias ao ouvir os sons que a natureza lhe concedia, não entendia o silêncio, não compreendia porque não era capaz de emitir canções como as que ouvia em suas andanças.
Um dia, o entardecer, quando o sol já se despedia com os últimos raios de luz, Isa ouviu a mais bela canção irromper por entre as árvores. Jamais escutara som tão hipnotizante, ficou ali, parada, sem conseguir identificar de onde vinha tão bela voz. Olhou ao redor, mas não pode ver quem seria capaz de produzir as notas tão afinadas.
No dia seguinte Isa foi ao local, escutou a mesma canção e mais uma vez não conseguiu identificar o cantor. Ao terceiro dia, Isa decidiu se esconder por detrás das folhagens e ali ficou até voltar a escutar a voz. E pela primeira vez conseguiu ver camuflado entre as folhagens um pequeno ser de olhos expressivos, grandes e pretos, e uma plumagem castanho avermelhado que a plenos pulmões entoava notas que Isa jamais tinha escutado. Era um Rouxinol, o cantor noturno da floresta.
Isa se apaixonou por aquele ser oculto e misterioso no instante que o viu. O pássaro que preferia o anoitecer ao amanhecer encantou a jovem. Todos os dias ia na mesma hora e no mesmo local encontrar o belo pássaro. Aos poucos o Rouxinol passou a confiar na mulher e se aproximar mais. Isa continuava a se martirizar por não poder emitir notas como as daquele tão pequenino ser, o rouxinol prometeu que ainda lhe daria o segredo.
Com o passar do tempo Athos começou a sentir falta de sua companheira, que dedicava muitas horas do dia na companhia do Rouxinol. A solidão lhe causava ira, não compreendia os sumiços de Isa, que lhe ocultara o motivo real de seus passeios. Um dia decidiu segui-la em sua andança ao fim da tarde, descobriu o pássaro e ficou enciumado da relação dos dois.
Athos consumido de ciume e raiva decidiu que aquela voz seria dele, não poderia pertencer a um ser tão pequeno e insignificante. Assim Isa não mais se agradaria da companhia do Rouxinol e voltaria a se encantar com as horas passadas ao lado de Athos.
Athos preparou então uma armadilha ao pássaro. No dia seguinte, um pouco antes do horário do encontro com Isa, o homem se escondeu por entre as folhagens. Ele sabia que Isa se atrasaria para o encontro, tinha se incumbido de desviar a atenção da mulher com novas frutas que encontrara no dia anterior. Quando o Rouxinol apareceu a procura de Isa, Athos avançou para cima dele em um sobressalto e o aprisionou. O pássaro soltou um grunhido alto que toda a floresta ouviu, Isa se assustou e correu na direção do encontro.
O homem prometeu matar Isa caso o Rouxinol não lhe desse sua a voz. Disse que a mulher já entraria no local e assim que chegasse seria flechada com o mais cruel e mortífero veneno. O pássaro assutado e tentando prometer sua amada prometeu a voz ao homem, suplicou que não matasse Isa.
Antes que o Rouxinol pudesse transferir sua voz para Athos, Isa chegou e vendo o amado aprisionado e os olhos furiosos de Athos ficou petrificada. Desesperada, ela avançou sobre Athos e um descuido acabou soltando o pássaro, ainda mais furioso ele aprisiona Isa e promete por sua própria vida que irá matá-la se não puder ser dono da bela voz. O rouxinol em desespero voa de volta para Athos. Isa suplica por sua vida e de seu amado, mas Athos é irredutível.
E nesse mesmo momento, momo uma estrela, o Rouxinol fica cheio de luz, de seus olhos negros saltam fagulhas de energia. Iluminada como o sol, ele se aproxima de Athos e pousa em sua cabeça, começam a sair os mais belos sons ouvidos e feixes de luz que vão iluminando o homem. Isa se desespera, ela sabe que seu amado não suportará tamanho esforço, com esforço ela consegue derrubar Athos.
A transferência estava quase no fim, não há mais reversão, em um ato de declaração de amor o Rouxinol passa os poucos sons restantes pousando na cabeça de Isa. Assim, ela recebe os últimos tons, mais agudos e os trinados mais belos da terra. O pássaro fraco e sem voz desfalece nas mão de Isa, que lamenta em canção o sofrimento do amado.
Athos se recupera do tombo e flecha seu objeto de inveja. O rouxinol está morto. Isa faz um registro agudo do sofrimento sentido, enquanto Athos canta grave a inveja do amor de Isa pelo rouxinol. Isa passaria todas as tardes de sua vida em canções de lamento pela morte do Roxinol que tanto amou. As mais belas canções agora seriam por ela dedicadas à lembrança do amor que lhe fora tirado pela ira e inveja de Athos.
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domingo, 24 de julho de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Você abusou...
“mas me perdoe se eu insisto nesse tema...”. Sei que falo exaustivamente sobre, mas é escrevendo que procuro sentido nos acontecimentos. Penso sempre nos meus limites, até onde eu posso ir por um amor? Até que ponto é saudável adaptar-se e em que momento a gente sabe a hora de partir. Lembro da personagem Heloísa da novela Mulheres Apaixonadas, ela tinha um ciúme que virou doença. Tenho medo de amores doentios em que a pessoa se perde.Na minha pouca experiência em relacionamentos, vi que sou do tipo que quando gosta vai agüentando, apesar de falar demais sou do tipo “compreensiva”. E é exatamente isso que me preocupa , será que sei aonde se para em cima dessa linha? Mas uma hora o meu limite chega, a paciência não é tão ampla assim, e quando se instala é de vez, não tem volta. Posso amar loucamente, mas descubro que não posso mais, que saturou. “você abusou, tirou partido de mim, abusou...”
Em um determinado momento se descobre que está muito perto do fim. E é esse instante que chega sem avisar, que exige nossa parcela mais forte, mais corajosa, porque é assustador ter que realizar que mesmo completamente apaixonada é hora de partir, porque passou a chorar mais que sorrir. Ver que a balança anda desequilibrada e não há nada que possa fazer.
Dói, como dói, quando você descobre que ele não pode lhe dar o que precisa. Nessa hora surge a berlinda: ou se aceita ele do jeito que é - tendo certeza de que as promessas não serão cumpridas, ele não vai mudar, assim matamos os nossos sonhos e desejos - ou preferimos aceitar que é hora de ir e saímos com um coração bem machucado. É uma dor que maltrata, quando se descobre que ele não ama o suficiente para mudar, para sair da posição egoísta.
“mas não sei fazer poema ou canção que fale de outra coisa que não seja o amor...”. Queria escrever sobre outros temas, mas há muito que não entendo neste terreno, para quem é adepta da simplicidade, ando com muita complicação ao meu redor. “É tão normal ter desamor ... Se o quadradismo dos meus versos vão de encontro aos intelectos que não usam o coração como expressão. Você abusou...”
sexta-feira, 11 de março de 2011
Não tem que ser assim...
Ela sabia. Podia se magoar, era melhor não arriscar. Vê-lo poderia trazer de volta tudo que ela insistia em guardar escondido no fundo do armário. Precisava aprender a ser só, a andar por ela, mesmo sabendo que o lugar era tão dele. De repente, doía muito mais do que ela imaginava.Ficou difícil discernir entre encontrar ou ignorar, era muito difícil pensar em não vê-lo. E o encontro veio como uma chuva de verão, forte, tempestiva, dessas que demora a passar e quando vai deixa um monte de água espalhada. Era muito maior do que ela podia suportar, ela descobriu que tudo era mais intenso do que imaginava, aquilo que estava guardado ainda ocupava muito espaço. Chorou.
Ainda preferia acreditar que poderiam ser eles, em algum momento perdido no espaço, em algum tempo guardado para eles. Parou de entendê-lo. Sentiu-se só. O conforto que a companhia dele trazia não mais poderia ser dela, ele preferiu assim. Perdeu o controle, não conseguia entender tamanha complicação, ainda havia tanto sentimento. Sofreu. Agora deixaria o tempo tentar curá-la.
“... Não tem que ser assim
Tanto desencontro, mágoa e dor
Pra que que a gente tem que Se arriscar
Então volta pra mim
Deixa o tempo curar
Esse estranho jeito de amar....”
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Fim...
De repente eu me vi ali, numa noite de sábado lendo sobre o fim do amor de alguém e sublinhando frases que poderiam ser minhas. Com as palavras dela eu explicaria o meu fim. Senti uma dor aguda, um medo sufocante e vieram as lágrimas quando o Ipod insistiu em tocar a música que era tão dele.Eu sabia que acabaria, que tínhamos problemas sérios. No fundo, era melhor assim, mas ainda o queria aqui comigo. Ele me implorou tantas vezes que eu o deixasse, tentou me mostrar que não estava pronto, por mais que acreditasse tanto na gente e insistisse que queria casar comigo.
“Não por conteúdo, mas por formato”, nunca achei que a frase que uso para editar textos serviria para explicar o colapso do meu relacionamento. Sem ele, eu tenho a certeza que não foi a falta de amor que pôs um fim na gente, nunca tive dúvidas sobre o sentimento, a falha foi no trato. Não conseguimos ultrapassar o obstáculo que sempre esteve lá.
Sabiamos que não seria fácil. Eu aceitei, decidi que valia a pena e de fato valeu. Mas de repente eu vi que já não mais cabia nele. A lista de prioridades tinha muitos outros tópicos antes de mim. Me senti mal pela minha falta de compreensão, mas em seguida descobri que não era culpa minha, tão pouco dele. Ele não mais poderia me oferecer o que eu precisava. Não me culpo pelos meus sonhos.
Ele me mostrou “quem eu também poderia ser”, em como podia ser divertida e descomplicada. Insisto em consultar minha memória e ver em que ponto rompemos passamos a “transformar trivialidades em motivo para emburrecimento”.
Com a minha paciência na reserva e um cansaço de tanta complicação nem mesmo consegui dizer “terminamos aqui”, mas ele entendeu e teve mais coragem que eu. Terminávamos ali. Chorei. “É uma dor que tentamos compreender em voz alta”, milhares de linhas escritas, de conversas intermináveis. Eu sei que vai passar, que outros virão, mas o problema é o que ficou. “No amor não existe moral da história”
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Mãe!
Nunca sei o que dizer dela. Ela me tira do sério. Sabe como ninguém enfiar dedo em feridas abertas. É a única que sabe falar o que eu não quero ouvir. Me liga demais. Reclama demais. Cobra demais. Ela sabe ainda o que fazer para me desconsertar. E ela grita, céus como ela grita.
Ela tem um monte de defeitos irritantes, que se tornam mais irritantes quando vejo todos em mim. Ela torce demais. Ela se intromete demais. Ela quer saber demais. É uma fã fiel e grudenta. Ela me conhece muito mais do que eu gostaria. É impossível esconder algo dela.
Ela tem o olhar que desarma, o abraço que acalma e o melhor colo do mundo. Ela é exemplo. Ela é força. Ela é fé. Incondicional. Passional. Ela sabe fazer chorar, mas também sabe amparar lágrimas. Ela é amor demais. Ela é aquela que eu não sei descrever porque palavras são muito pouco. Ela é quem eu amo demais. Ela é a minha mãe.
Feliz Dia das Mães!
Ela tem um monte de defeitos irritantes, que se tornam mais irritantes quando vejo todos em mim. Ela torce demais. Ela se intromete demais. Ela quer saber demais. É uma fã fiel e grudenta. Ela me conhece muito mais do que eu gostaria. É impossível esconder algo dela.
Ela tem o olhar que desarma, o abraço que acalma e o melhor colo do mundo. Ela é exemplo. Ela é força. Ela é fé. Incondicional. Passional. Ela sabe fazer chorar, mas também sabe amparar lágrimas. Ela é amor demais. Ela é aquela que eu não sei descrever porque palavras são muito pouco. Ela é quem eu amo demais. Ela é a minha mãe.
Feliz Dia das Mães!
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Não vivo numa comédia romântica!
Nunca fui muito fã de filmes água com açúcar, as famosas “comédias românticas”. No final eu sempre me decepciono e acho tudo muito óbvio. Enfim só assisto tipos assim quando a companhia da noite são as meninas. Conversando com uma amiga essa semana descobri porque eu sempre desgostei tanto do gênero, acontece que Comédias Românticas tornam as nossas vidas mais difíceis!!!Explico o porquê. Acontece que nos filmes tudo da sempre muito certo, as declarações de amor são faraônicas, todo mundo que ama é correspondido e por aí vai. Nem preciso dizer que no mundo real não é assim. Os filmes nos fazem criar expectativas de que tudo é lindo e cor-de-rosa e mais, que o amor resolve tudo. Meninas joguem suas vidas pro alto, afinal estão amando!
Nessa lona incluo as novelas e até os seriados, mas pelo menos nos dois gêneros as coisas acontecem mais devagar e tem um monte de tragédia no meio, bem como nossas vidas. Coisas que só acontecem em novela e em comédias românticas:
· O Reinaldo Gianecchini bater no seu carro (Laços de Família)– já bateram em mim quatro vezes e nunca foi ninguém nem parecido!
· Molhar as plantas na casa do Hugh Grant (Letra e Música) – já trabalhei em milhares de lugares, meus chefes estavam bem longe do inglês charmoso!
· Ser personagem de matéria do Richard Gere (Noiva em Fuga) – eu conheço um monte de jornalista e os mais bonitos não têm os olhinhos pequenos e o charme de quarentão, mesmo sendo mais velho que isso!
Esses são só alguns itens da imensa lista. Já repararam que nos filmes ninguém lida com seus próprios preconceitos? Os medos, receios, vergonha, tudo é simples, a mocinha rica começa a se pegar com o mocinho pobre e hora nenhuma ela se pega pensando “e o nosso futuro?”, “e os meus amigos?” ou “e os meus pais?”. É fácil ela vai abdicar de tudo e viver de amor -e brisa- e ser feliz. Pode parar que no meu mundo não acontece assim, por pior que seja somos preconceituosos e temos os nossos monstrinhos internos, que são bem complicados.Minha amiga encerrou o assunto:
- Recebi uma cesta de café da manhã ontem!
- Que bacana, quem mandou?
- O bicho mais tosco da cidade, claro! Eu não vivo numa comédia romântica!
Ela foi categórica e eu bem concordo. Definitivamente não vivemos!
PS> as fotos são do filme "Era uma vez" da Globo Filmes, enredo bacana, menina rica e menino pobre, clichê! Mas é bom e a trilha sonora incrível!
Tatiana Coêlho
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
E no fim do dia...
(5 de Setembro de 2008)
Eu mexo com ele como ele o faz comigo? Toda mulher já pensou sobre isso. Na verdade todas já desejamos isso. Sentir que exercemos poder sobre alguém e que saímos da posição de descontrole. Mulheres costumam se envolver – ou se deixar- mais rápido e mais facilmente, mas isso não quer dizer que eles não sofram e se perturbem ao ver àquela garota.
Por que apenas saber notícias dele é suficiente para bagunçar tudo? Nem mesmo o vi, muito menos falei, apenas soube. Duvido que homens sintam essas coisas e me apego ao fato de que a racionalidade e a lógica masculina os impedem das ações ensandecidas que nós mulheres insistimos em fazer.
Tudo bem não foi um amor louco desses que deixam na cama com febre, na verdade nem sei se um dia me sentirei assim de novo, mas foi suficiente naquele momento e me traz boas lembranças e mais que isso saudade. Realmente gostaria de saber se importou pra ele tanto quanto para mim, se eu deixei boas recordações e se de alguma forma fiz diferença.
A parte boa é que sempre teremos a TPM. E ela de fato existe, mas quando parecemos loucas e nos sentimos as piores e mais solitária das criaturas apelamos para ela. A sensação de perder o controle não é boa, por isso fazemos bom uso dela. Correr atrás dele às 2h da manhã? Ligar para o amigo para saber notícias? “Ah eu estava na TPM, nem sou louca assim”. E no fim das contas não é ruim, afinal alguma coisa boa deveria sair da montanha russa hormonal.
E no fim a verdade é que não sabemos se os perturbamos ou não. No fim do dia ainda pensaremos sobre isso. E eles? Acho que não sabem o quanto são presentes e até prefiro que não saibam.
Tatiana Coêlho
Eu mexo com ele como ele o faz comigo? Toda mulher já pensou sobre isso. Na verdade todas já desejamos isso. Sentir que exercemos poder sobre alguém e que saímos da posição de descontrole. Mulheres costumam se envolver – ou se deixar- mais rápido e mais facilmente, mas isso não quer dizer que eles não sofram e se perturbem ao ver àquela garota.
Por que apenas saber notícias dele é suficiente para bagunçar tudo? Nem mesmo o vi, muito menos falei, apenas soube. Duvido que homens sintam essas coisas e me apego ao fato de que a racionalidade e a lógica masculina os impedem das ações ensandecidas que nós mulheres insistimos em fazer.
Tudo bem não foi um amor louco desses que deixam na cama com febre, na verdade nem sei se um dia me sentirei assim de novo, mas foi suficiente naquele momento e me traz boas lembranças e mais que isso saudade. Realmente gostaria de saber se importou pra ele tanto quanto para mim, se eu deixei boas recordações e se de alguma forma fiz diferença.
A parte boa é que sempre teremos a TPM. E ela de fato existe, mas quando parecemos loucas e nos sentimos as piores e mais solitária das criaturas apelamos para ela. A sensação de perder o controle não é boa, por isso fazemos bom uso dela. Correr atrás dele às 2h da manhã? Ligar para o amigo para saber notícias? “Ah eu estava na TPM, nem sou louca assim”. E no fim das contas não é ruim, afinal alguma coisa boa deveria sair da montanha russa hormonal.
E no fim a verdade é que não sabemos se os perturbamos ou não. No fim do dia ainda pensaremos sobre isso. E eles? Acho que não sabem o quanto são presentes e até prefiro que não saibam.
Tatiana Coêlho
Esse eu queria que fosse meu!
(9 de Julho de 2008)


Esta é a semana dos namorados, mas não vou falar sobre ursinhos de pelúcia nem sobre bombons. É o momento ideal pra falar de sacanagem.
Se dei a impressão de que o assunto será ménages à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito desiludí-lo. Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é racionado nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais rápido.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Ninguém nos disse que chinelos velhos também têm seu valor, já que não nos machucam, e que existe mais cabeças tortas do que pés.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que poderíamos tentar outras alternativas menos convencionais.
Sexo não é sacanagem. Sexo é uma coisa natural, simples - só é ruim quando feito sem vontade. Sacanagem é outra coisa. É nos condicionarem a um amor cheio de regras e princípios, sem ter o direito à leveza e ao prazer que nos proporcionam as coisas escolhidas por nós mesmos.”
Pego-me pensando….Acredito mais em Dia dos Valentes, valentes porque apesar do nosso complexo de Cinderelas, Belas Adormecidas, etc, mesmo assim, estamos lutando para fazermos escolhas e não nos deixarmos hipnotizar tão facilmente por “príncipes” que ao serem beijados comumente se tornam sapos .
PS> Talvez se mulheres pensassem mais como a autora poderiam entender que são suficientemente bonitas, suficientemente inteligentes e suficientes para serem felizes!
Se dei a impressão de que o assunto será ménages à trois, sexo selvagem e práticas perversas, sinto muito desiludí-lo. Pretendo, sim, é falar das sacanagens que fizeram com a gente.
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é racionado nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais rápido.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Ninguém nos disse que chinelos velhos também têm seu valor, já que não nos machucam, e que existe mais cabeças tortas do que pés.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que poderíamos tentar outras alternativas menos convencionais.
Sexo não é sacanagem. Sexo é uma coisa natural, simples - só é ruim quando feito sem vontade. Sacanagem é outra coisa. É nos condicionarem a um amor cheio de regras e princípios, sem ter o direito à leveza e ao prazer que nos proporcionam as coisas escolhidas por nós mesmos.”
Pego-me pensando….Acredito mais em Dia dos Valentes, valentes porque apesar do nosso complexo de Cinderelas, Belas Adormecidas, etc, mesmo assim, estamos lutando para fazermos escolhas e não nos deixarmos hipnotizar tão facilmente por “príncipes” que ao serem beijados comumente se tornam sapos .
Martha Medeiros
PS> Talvez se mulheres pensassem mais como a autora poderiam entender que são suficientemente bonitas, suficientemente inteligentes e suficientes para serem felizes!
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