Nos últimos meses tive algumas experiências em pronto-socorro. Como acompanhante, passei 9 horas esperando a dor maluca do meu tio melhorar. Cheguei no hospital com ele às 2h da manhã e após doses de morfina e andando de sala de exame para laboratório foi-se a madrugada inteira. Às 8h eu só precisava de um resultado pra poder ir pra minha casa e dormir as horinhas que me restavam, porque eu trabalhava à tarde.
Fui eu pela terceira vez ao laboratório, uma hora depois do marcado no papelzinho. “Bom dia você pode ver se esse exame de emergência ficou pronto?”. Silêncio, alguns segundos depois a gordinha grunhiu alguma coisa, eu não ouvi, pedi que repetisse, ela gritou. “Não, não ta pronto e nem sei quando vai ficar”. Mas que diabos. O que eu fiz a ela? Eram 8h da manhã ela nem podia dar a desculpa de estar cansada tinha acabado de chegar no hospital, eu tava lá a madrugada inteira, era que completava 30 horas sem dormir.
Essa semana, como paciente, fui para o meu segundo exame de sangue em dois dias. Entrei no laboratório, assinei a papelada, sentei e tava esperando minha vez. Quando eu vi a enfermeira mais mal-humorada do planeta lá para tirar meu sangue. Eu já tinha até me preparado para grosseria, mas ela chamou uma senhora. Fiquei reparando na indelicadeza ao executar o exame da velhinha. Fiquei com raiva, não sabia os motivos dela, mas sabia que aquela senhora não tinha nada a ver com aquilo.
Sinceramente eu mal-humorada não furo ninguém nem deixo roxo nos braços alheios, bem queria às vezes, mas enfim a minha profissão não me proporciona. Meu ponto é meu mal-humor só faz mal a mim, como em muitas profissões. Mas e quem lida com gente? E pior, pessoas fragilizadas. Essa galera que trabalha com saúde, especialmente com agulhas, precisa saber a responsabilidade da profissão no momento da escolha. Não que não possam ter raiva, mal-humor ou ansiedade, afinal são humanos, mas mais do que ninguém precisam saber separar sentimentos. Ta indisposto? Melhor ficar em casa!!!
Tatiana Coêlho