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sexta-feira, 18 de março de 2011

Pais...

Sempre penso em uma frase que li há um tempo já, que dizia “todos nos preocupamos com o mundo que vamos deixar para os nossos filhos, mas que filhos deixaremos para o mundo?”. Não sei se com essas exatas palavras, mas alguém expressou muito bem a minha preocupação com a futura geração. Tenho muito medo de ter filhos, por achar que a tarefa de educar uma criatura exige uma sabedoria que acho que não possuo.

Não sou nenhuma perita em educação, mas sou a primeira neta de uma família de nove, sendo que eu tenho 24 anos e a minha prima “mais velha” tem 15 e a mais nova 3 anos. Acreditem, conheço todas as fases infantis e já assisti cada cena de deixar qualquer psicopedagogo de cabelo em pé. Freqüentemente assisto pais querendo ser “bonzinhos” com os filhos e tendo medo de dizer “não”. As pessoas não querem ser chatas, mas pais não têm que ser legais, pra isso servem os amigos, genitores precisam ser chatos e bem chatos.

Pais servem para dizer não e impor limites, até porque a nossa função na vida enquanto criança e adolescente é testá-los até a última gota. Até os 15 anos a nossa principal função é odiar pai e mãe e achar – ou ter certeza - que eles não sabem de nada. Mas se os limites e o diálogo não são feitos em casa, começam os problemas. Os filhos vão pra mundo, e aí será que foram bem preparados?

“Não queria que meu filho virasse vagabundo, mas quando ele tinha 17 anos dei um carro zero para ele, mesmo ele estando ainda no 1º ano do ensino médio”. Ou ainda “Queria que ele levasse a vida mais a sério, mas paguei supletivo para que ele passasse de ano e fosse à praia com os amiguinhos”. Até quando as pessoas vão continuar enchendo os filhos de presentes para suprir falhas? Famoso chorou, ganhou. E a meritocracia? Aquilo que nos ensina a não nos contentar com mínimo e a trabalhar para receber ganhos. E os valores?

Por outro lado temos o excessivamente controladores. Aqueles que regulam televisão, computador, hora disso, hora daquilo, a roupa, a comida, o lazer, absolutamente tudo da vida da criança, ou de alguns nem tão crianças assim. O que também não ajuda, porque a porta do dialogo é fechada a todo custo e a criatura levada a uma síndrome de Peter pan. Não deixar as crianças assistirem jornal, novelas e afins não vai protegê-los de nada do mundo real, mas uma boa conversa e formação de caráter vai.

Outro dia no aeroporto escutei uma mãe falar para filha “meu consolo é que um dia você vai ser mãe e vai sofrer como eu”, quantas e quantas vezes ouvi isso da minha mãe, penso se um dia vou repetir a frase. Ainda tenho medo de não ter capacidade de educar, para mim, maternidade é a maior responsabilidade que alguém pode ter na vida. Quem sabe um dia vou repetir todas as frases de mamãe...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Feliz Natal!!!!

Natal é uma época divertida. A família se reúne, a comida é farta, as pessoas trocam presentes, mensagens bonitas, cartões, todo mundo se abraça, um clima bacana. Mas é bem nessa hora que acontecem as cenas mais constrangedoras e a falsidade também rola solta. É o momento de dizer que gostou do presente horroroso, da comida sem sal, da mensagem clichê.

Mas a melhor história de natal quem protagonizou foi meu ilustríssimo namorado –tadinho, quando eu escutei eu ri muito, mas fiquei compadecida também. Sem maiores delongas, vamos dizer que a avó dele tem um gosto peculiar ao presentear pessoas. O acontecido foi mais ou menos assim:

- Meu filho, aqui seu presente!
- Brigada Vó – (famosa cara de parede!)
- Fiz um plano funerário para família toda. Para você, sua mãe, suas irmãs. Afinal você vive nessa moto pra cima e pra baixo.
- Sério mesmo? Brigada Vó – (que cara se faz nessa hora???)
- E acho que você devia fazer para o seu filho também.
- Mas ele só tem 2 anos Vó – (bater em avó no natal é contra as regras de boa conduta social)
- Ah meu filho, mas é bom fazer, nunca se sabe!
- ...

Considerando que não é algo que ninguém tenha orgulho em contar por aí eu acredito totalmente na veracidade dos fatos. Ele me disse que não sabia o que pensar na hora, só a parte em que ela sugeriu o mesmo presente para o baby que a situação ficou um pouco mais delicada. As irmãs ficaram, como eu posso dizer, furiosas, nem a paciência materna foi capaz de apaziguar os ânimos.

Minha vovó é sem-noção como todas as outras, mas acho que a dele ultrapassou as barreiras da falta de bom-senso característicos de tias e vovós. Mas olhando pelo lado positivo a história é ótima para se contar por aí. Desculpa, namorado, mas natal é definitivamente uma época divertida.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pra Sempre???

(1º de Outubro de 2008)

Ter um filho é para sempre. Diamantes são para sempre. E me pego em dificuldade tentando descobrir outros “para sempre”. No auge dos meus 21 anos o que eu sei é que as coisas são perecíveis e se perdem na dinâmica maluca e cotidiana de nossas vidas. O importante de ontem perde valor no dia de hoje e provavelmente amanhã nem será mais.

“Tudo que é sólido se desmancha no ar”. Já li isso tantas vezes que não sei quem escreveu. Para mim o para sempre é relativo, as coisas acontecem no tempo certo e suficiente para se tornarem essenciais naquele exato momento, e as vezes desaparecem com a mesma rapidez que surgiram. Seja com trabalho, preocupações, pessoas, relacionamentos e principalmente com os sonhos, realizados ou não, eles simplesmente se transformam.

Ainda não sei quem sou, do que gosto, do que não gosto. Não conheço a fundo os meus limites, menos ainda as minhas habilidades, por isso não posso escolher alguém para sempre. Preciso de tempo, de experiência e mais ainda de dedicação. Acredito que é preciso ficar só também, estar bem na própria companhia, sem medo da solidão.

Não devoto minha vida, não me submeto a ninguém. Não entrego minha felicidade na mão de estranhos. Sou suficiente, começo, meio e fim, não uma ilha, preciso de pessoas, mas sou suficiente. Ouvi de um professor que “todo mundo tem um “quê” oculto”, por isso não me engano com confiança desenfreada e sem medida.

Mas pensando bem acho que saudade também é para sempre, de momentos bons, de pessoas queridas, de épocas que guardamos, de sorrisos, de abraços. O futuro me remete a um monte de dúvidas, os “pra sempre” me trazem angustia, que me desculpem os planos, mas eu fico com o presente.

Tatiana Coêlho