terça-feira, 13 de julho de 2010

A Copa e o Salomão!

A Copa do Mundo se foi e junto com ela o sonho do hexa campeonato brasileiro. Agora só em 2014. O que ficou foi a nossa revolta de torcedores apaixonados, tiramos as bandeirinhas do carro, guardamos as barulhentas vuvuzelas e dispensamos as camisas canarinhas, só daqui a quatro anos isso tudo volta a sair do armário.

Holanda e Espanha disputaram a final no último domingo. A Laranja Mecânica, que nos mandou pra casa e mandou o Uruguai para o quarto lugar, acabou com o vice-campeonato pela terceira vez. Enquanto a desacreditada seleção Espanhola levou pela primeira vez o campeonato para casa.

Mas nem tudo foi tristeza, se choramos na sexta - eu chorei junto com Júlio César -, no sábado descobrimos que 2x1 nem era tão ruim assim. Assistir a Argentina perder de quatro – mesmo com trocadilho infame- melhorou o humor nacional. França e Itália que ficaram ainda lá na primeira fase. Gana que perdeu a classificação em um pênalti no último minuto da prorrogação. Teve torcedor que sofreu mais que a gente.

Na famigerada sexta em que o Brasil perdeu da Holanda eu voltei para trabalhar. Bom mesmo- ou nem tão bom assim – foi assistir a passionalidade que vivemos nossa derrota, era gente chorando, gente gritando e gente mal-humorada. As ruas cheias e o povo impaciente nas filas, cada um externava a raiva como dava, afinal a Copa para nós tinha acabado.

Do outro lado do atlântico, o que ficou como imagem de toda revolta nacional foi o vídeo do Salomão, que com seus 12 anos ainda não viu um título da seleção - em 2002 ele ainda era muito novinho para lembrar. Inconsolável, ele chora e grita com a mãe “E se daqui a quatro anos eu morrer???”. Sobrou para o vilão do nosso time "O Felipe Melo, aquele viado!". E pro juiz também.

Futebol é das coisas menos importantes definitivamente é a mais importante. Mas a gente já sabia, time mal escalado não ganha Copa. Tudo bem Brasil, até 2014 e que venha o título para mim e para o Salomão, que terá 16 anos e não 18, certo mãe do Salomão?!


domingo, 27 de junho de 2010

E dez anos se foram...

Naquele ano ela faria dez anos de fim do segundo grau. A escola já era apenas um conjunto de memórias, algumas boas outras não tão boas assim. Agora, ela segurava aquele convite para o baile dos ex-alunos da mesma forma – e com o mesmo medo- que agarrava os boletins bimestrais. Tinha uma decisão importante ali.

A vida não tinha seguido os planos da adolescência, alguns sonhos tinham se perdido pelo caminho, novos apareceram e ocuparam o lugar dos antigos. Já não se achava capaz de mudar o mundo, deixara de ser uma questionadora feroz. A idade tinha acalmado o gênio forte.

Ela era bem sucedida, jornalista, pós-graduada e recém mestre. Mas ao invés de correspondente de guerra, ela escrevia sobre o comportamento cosmopolita em uma revista feminina de grande circulação. Não eram os problemas mundiais que passeavam entre as linhas de seu texto, sim os cosméticos anti-rugas e os lançamentos do mundo da moda.

Com aquele convite em mãos, ela decidiu checar os compromissos da data, podia ser bom reencontrar o passado. Lembrou que antes suas agendas eram recheadas de recadinhos, colagens e confissões de sentimentos que só ela conhecia. Em algum canto do armário, os diários ainda existiam, guardavam as memórias de um tempo especial.

Era hora de abrir sua cápsula do tempo, talvez descobrisse em que ponto se perdeu em meio a rotina. Tirou a caixa empoeirada e a observou, não sabia o que sairia dali. O apartamento de repente pareceu pequeno para a quantidade de lembranças que se abriam diante dela. Existiam feridas que ela teimava em não reabrir, não sabia se estava pronta.

O primeiro beijo. O amor arrebatador. A primeira transa. A desilusão de algo que enfim não era tão para sempre. O fim do colégio, as promessas de amizade eterna. Como perdera tanta gente pelo caminho? Era com ele que ela iria casar e ela seria madrinha de seu casamento. Por que ainda moravam na mesma cidade e se viam tão pouco?

As páginas descreviam sua primeira grande perda. A morte do avô lhe causara danos, uma montanha-russa de emoções, não sabia como alguém podia ter sido levado dela tão rápido e sem aviso prévio. Tudo escrito em detalhes, a notícia, os dias sem comer, a família reunida, os parente de fora e a dor que parecia incurável. Chorou.

Veio o vestibular. As primeiras aulas na faculdade. O jornal laboratório, os congressos, os concursos. Enfim a graduação, novos sonhos e mil expectativas. O primeiro emprego,não tão dos sonhos assim. A especialização fora do país, novas promessas, e a volta não tão planejado. Tudo ali, narrado por quem mais conhecia cada história.

O emprego na ONU ficou para depois. O convite para a revista. A idéia era ficar um ano, mas veio a promoção e outra e lá se iam quatro anos. Os objetivos tinham mudado, a idéia de realização já tinha um novo sentido e ela não sabia se a mudança de paradigma lhe agradava tanto. Ficou confusa.

Olhou o convite mais uma vez, pensou em que roupa usaria. A escolha não foi fácil, o espelho teimava em apontar falhas, mas ela foi firme e saiu para o baile. No caminho ainda pensou em voltar, alguns ela ansiava por ver, outros torcia pela ausência. Estacionou e teve medo, esqueceu como seria difícil pisar ali sozinha. Entrou no salão e um abraço conhecido lhe fez lembrar porque quis tanto estar na festa, pensou em como tudo era tão mais simples naquele tempo. Simplesmente Sorriu.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Afinal, é dia de jogo!

Você sabe que seu dia vai dar errado quando logo você, acostumada a só acordar depois do soneca do telefone celular, abre o olho antes do despertador pensar em tocar. Pronto, deu zica. Daí para frente só piora, a roupa que tinha pensado em usar desaparece misteriosamente do armário, a blusa do Brasil parece que saiu de uma garrafa de tão amarrotada. Mas tudo bem, depois de lutar contra um frio, você coloca a bandeirinha no vidro e sai de casa e vai trabalhar cedo, afinal hoje é dia de jogo.

Hoje pela manhã, o ônibus da seleção não estava lotado, como diz o letreiro lá na África, isso porque o Brasil inteiro não estava lá dentro, estavam todos na saída do Lago Norte, foi o pior engarrafamento de todos os tempos. Ainda mato os velhinhos que foram contra a ponte dos meus sonhos, aquela que já ia me deixar dentro da Universidade.

No caminho para o trabalho só conseguia efetuar a matemática de que eu trabalharia minhas normais seis horas, os caixas ficariam cinco horas no banco e o cara do meu lado que normalmente faz oito, também faria jornada de seis, com uma diferença básica, ganhando bem mais que eu. Ou seja, eu fui a única ferrada. A vida não é justa, mas tudo bem, afinal é dia de jogo.

Mais engarrafamento, bar lotado, senta todo mundo – não importa aonde- que vai começar. O Galvão anunciou “Bem amigos da Rede Globo!” e a bola rolou no campeonato de futebol mais importante do mundo. O sucesso do meu dia dependia daqueles onze jogadores vestidos com a amarelinha. Não importava mais o resto do dia, afinal era Copa do Mundo.

O gol demorou, a gente sofreu com a péssima performance do número 10 da seleção. 45 minutos e nada, parecia que nem pedalada, nem jogada ensaiada iam resolver. Intervalo para acalmar os ânimos, arrumar lugares melhores na platéia. Veio o segundo tempo, dois gols e a redenção. De brinde veio o gol da Koréia, mas tudo bem, afinal era dia de jogo e vencemos!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ESCORPIÃO (23 outubro a 22 novembro):

"Você é o pior de todos: desconfiado, vingativo, obsessivo, rancoroso,frio, orgulhoso, pessimista, malicioso, cínico, fofoqueiro e traiçoeiro nos negócios. Você é o perfeito filho da puta, só ama sua mãe e a si mesmo. Aliás, alguns de vocês não amam nem a mãe! O escorpiano leva jeito para terrorista, nazista, dentista, fiscal da receita e juiz de futebol."

Meu signo não tem a melhor das descrições, mas tem horas que eu acredito piamente nele, não nas previsões é claro, mas nas definições da minha personalidade.

Não sou Poliana, não fico sempre vendo o lado positivos dos acontecimentos. Tem dia que quero é mandar tudo e todos para bem longe. Eu choro, sofro e me sinto sozinha.

Também não tenho vocação para o drama e detesto gente que só reclama. Minha falta de paciência me faz uma pessoa bem intolerante, o que remete a descrição agradável do meu signo. Gente bozinha demais me causa desconfiança, prefiro gente que fala demais - É, eu gostava da Isabel da novela - claro que há um preço que se paga por isso, as vezes ele é bem alto.

Alguns dias meu mau-humor ultrapassa todas as barreiras do suportável, nem eu me aguento. Mas me defendo, tenho um lado bom, preocupado e perfeccionista. Não virei nazista, tenho medo de dentista e acho que arranjaria muita encrenca se resolvesse virar juiza de futebol. Ah e eu amo a minha mãe!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sempre a verdade???

Quando eu era pequena me ensinaram que o importante era dizer sempre a verdade, mentir era absolutamente imperdoável. Depois, aprendi o conceito de “mentiras sociais”, aquelas que auxiliam a manutenção do convívio em sociedade. Agora eu descubro que falar a verdade “doa a quem doer” afasta muito mais do que atrai pessoas.

Não submeto minhas opiniões à censuras, tenho problemas em mentir apenas para falar o que as pessoas querem ouvir. Acredito em verdades inconvenientes, mas cada vez mais me vejo em posições que preciso pensar muito bem em como e o que falar.

As pessoas procuram as outras não para agregar idéias e discuti-las, elas o fazem simplesmente para legitimar suas teses. Por mais hipocrisia que isso soe, é como acontece. Já vem com a história pronta, só querem que você lhes dê razão.

Me pergunto o que está certo, porque determinadas mentiras são capazes de proteger e se há uma verdade que ninguém desmente é que pessoas mentem. Mas então alimentar a hipocrisia em prol do social ou continuar falando demais e correndo risco de ser taxada de grosseira?

Admito que vejo algumas figuras como “caso perdido” e me reservo o direito de nem gastar meu português. Não me stresso, as vezes me afasto e fico ali balançando cabeça no estilo platéia bem ensinada. Mas não sei se me sinto bem com isso.

Nessa eu não tenho respostas. Eu só sei que comigo é sempre a verdade!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Quando a inteligência vence...

Não faz mal ler o jornal de vez em quando, saber a quantas anda a política nacional, escutar algo além de “rebolation”. Enfim, usar a inteligência não mata, nem mesmo machuca. Nada melhor que boa conversa, sentar com o amigo economista empolgado com a aprovação na certificação internacional, ou com o primo animado com os primeiros semestres de faculdade, ou ainda com o músico apaixonado. Nem vou falar sobre cantadas inteligentes que aí é jogar baixo.

Nada mais sexy do que ouvir um homem que entende um pouco além de suplementação alimentar e pit bulls. Eles ficam muito mais interessantes quando a assunto da conversa ultrapassa o BBB. Foi mal, mas não estudei feito uma condenada para sair por aí ficando com caras que enchem a boca para dizer que Maquiavel escreveu “O Pequeno Príncipe”, o último livro que a criatura leu foi “A Bolsa Amarela” , ainda no pré- escolar. Por favor, me venham com neurônios e não com músculos, prefiro os nerds candidatos a Bill Gates aos sarados burros.

Sou filha de pais exigentes, daqueles que tirar 10 não era “nada mais que a obrigação”, passar com 5 era motivo de castigo e recuperação seria a morte. Tudo bem, na época de escola eu ficava brava e revoltada, mas me ensinou muito. Não me contento com o mínimo, corro atrás e não sou alienada do mundo – valeu pai pelas assinaturas diárias de jornais. Dedicação é o que faz a diferença, estudar não é tortura e ler também não mata, nem exige tanto esforço assim.

Para os que já trabalharam em redação sabem que o ambiente chega a ser insalubre, mas pelo menos por lá a briga é para saber quem é o mais inteligente e a disputa é acirrada. Diferente do ode a inteligência que se vê em outros lugares, em que a rotina da ignorância é bem vista e até ler as notícias da empresa são uma enorme dificuldade.

Se meu abdômen me desse dinheiro eu até me mataria numa academia, mas não é o caso. Nasci com pudor - fica para próxima BBB – o que elimina algumas possibilidades de enriquecimento fácil. O que eu sei fazer? Estudar, todo o resto veio daí, muito esforço e pouco dinheiro na conta. Na próxima vida quero vir bonita e bem burra, porque inteligência anda meio subvalorizado por aí, mas até lá... para mim a inteligência sempre vence.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Como se funcionasse...

Ela decidiu gostar de quem gostava dela. Ele era mais novo e pouco atraente, mas sempre estava lá. Era dedicado, fazias declarações de amor e a respeitava. Ela descobriu que era bom ser bem tratada, só para variar.

O tempo foi passando e ela não se apaixonou. Não sentia borboletas no estômago, não suava frio, tampouco perdia a fala perto dele. Mas também não estava ruim e ela foi ficando, afinal ele podia aprender ainda.

Ela começou a entender as celebridades, ter fã não é uma coisa tão boa assim. Admiração e respeito em demasia chegam ao “sem graça”, muito rápido. E ela resolveu inovar, como última tentativa.

Langerie preta, meia-calça, venda e uma champagne francesa no gelo. E faltou a pegada. Nessa hora ela só queria que ele assumisse o comando, só queria o homem, mão grossa, costas largas e olhar dominador, mas ele faltou e no lugar ficou só o fã com carinha de admirado.

Ela descobriu que não era fácil gostar de quem gostava dela. Algumas coisas ela simplesmente não queria ensinar. Acabou. E agora ela anda por aí exigindo as borboletas!