Quando
ele escreveu pensou numa cidade submersa, na cena de um Rio perdido e um amor
que ficou. Eu preferi pensar em possibilidades futuras, naquilo que vem sem
esperar, sem preparo, que toma lugares e espaços, em tudo que se renova.
Percorri
por aquelas frases centenas de vezes e ainda procuro pelo “não se afobe não”
numa tentativa infinita de controlar a ansiedade maldita que quer tudo agora,
que tudo procura entender e insiste em querer antecipar ou atropelar os
acontecimentos. Se aquieta e aprende a parar o barulho, “ele pode esperar em
silêncio”.
Coloquei
muito “num fundo de armário”. Tentei organizá-lo inúmeras vezes na tentativa de
manter tudo ali, bem guardado, deixei longe o que ainda podia doer, encaixotei
a saudade. O tempo passou e “futuros amantes quiçá se amarão sem saber”, sem
saber como pode doer, como se pode recomeçar, como tudo segue seu fluxo, como
por vezes se olha para trás, mas não se anda para trás.
