
No meu tempo de adolescente não tinha Thaís Araujo, Alicia Keys, Beyonce e tantas outras negras lindas que hoje tem espaço na mídia, o padrão de beleza era outro. Demorei para ver o quanto negros são bonitos, na verdade meus preferidos. Quando aprendi que era bonita, descobri porque aprendi a “ser negra” fora de casa, aqui simplesmente somos pessoas, seja lá a cor que temos, não levantamos bandeira, só vivemos e se alguém se incomoda, é uma pena.
Essa semana fui à mesas de debate na Universidade de Brasília, li manifestos. Toda semana da consciência negra é assim. Ouvi sobre a dicotomia da celebração do dia, sobre o risco de incorrer em preconceito às avessas. Concordo em parte com a citação, uma vez que me faz pensar em ações afirmativas, como a política de cotas.
Desde 2003, existe uma lei que implementa o ensino de História da África nas escolas, mas aposto que o imaginário popular ainda incorre em pensar apenas na áfrica dos escravos e das tragédias. Os debates rasos e a falta de compreensão fazem com que as argumentações sejam fracas e fica esse ar de "compensação". Nada exclui os 300 anos de escravidão e as desigualdades sociais provocadas. A idéia é a naturalização, lembra de quantos amigos negros você teve na faculdade?
Não acho que as cotas sejam solução, mas é um começo, porque falar em educação de base exclui a geração atual. O dia 20 não é só para exaltar a luta, Zumbi dos Palmares, mas reafirmar a beleza, a cultura e mais do que isso, naturalizar a condição do negro.