
De hospital a barreira eletrônica, tudo é inaugurado com pompa. Existia uma novela na globo, O Bem Amado, em que o personagem principal era o prefeito, Odorico Paraguaçu. A maior obra da autoridade tinha sido o cemitério da cidade, o desejo era claro, queria a todo custo inaugurá-lo, com toda pompa e publicidade de grande obra do governo, o único problema era: ninguém morria na cidade
Pra que um cemitério se nem defunto tem? Para os que não viram a novela, o prefeito consegue enfim inaugurar o cemitério, só que o corpo sepultado é o dele. Ironia ou não, o objetivo é atingido.
Mas a síndrome de Odorico permanece. Não vamos longe, semana passada fiz uma matéria sobre o Governador de Roraima que inaugurou a ponte Tacutu, fronteira Brasil e Guiana. O político só esqueceu de avisar a Guiana, resultado, barreira do lado de lá da ponte. Tudo que a autoridade brasileira conseguiu foi um conflito internacional e ser motivo de chacota.
Em Brasília, a capital do país, local em que as práticas políticas são mais sérias, certo? Errado. Uma breve pesquisa no Santo Google revelou tudo que o atual governador já inaugurou com direito a imprensa e festa. Alguns deles:
- Escada rolante da estação do metrô de Ceilândia
- Barreira eletrônica da ponte para o Lago Sul
- Centro de Saúde do Riacho Fundo
- Ciclovia de Samambaia
- Novo vôo da TAP em Brasília
- Centro Educacional 7 de Planaltina
(entre muitas outras, foram mais de mil resultados na pesquisa....)
Publicidade é importante e até faz parte da prática democrática, mas um pouco de bom senso não faz mal a ninguém. E inauguração de praça me lembra “Taboquinha”, município de mil habitantes, com direito a fanfarra e cabos eleitorais. Sinceramente essa síndrome de Odorico Paraguaçu seria engraçada se não fosse tão trágica, tão um resgate de política interiorana, só faltam os coronéis e as putas, ou não.