
Aos poucos ela descobriu como seria doloroso procurar justificativas no que ela não podia controlar. Era mais simples sair sem olhar para trás, mesmo enfrentando a dor. Demorou para entender que nem tudo acontecia como ela imaginava. Algumas certezas não são suficiente e a eternidade por vezes pode ser só um instante. O tempo já não era tão amigável quanto antes.
Ela conheceu o poder do acalanto de um abraço, da doçura de um beijo e de uma palavra certa no momento certo. Escutou segredos sussurrados no escuro do quarto e as confidências feitas só entre quatro paredes. Sentiu a leveza de um toque e a intensidade de uma carícia. Ela aprendeu a amar
Ela foi machucada. Chorou. Algumas feridas ela simplesmente entendeu que jamais se fechariam por mais que ela se esforçasse com todo coração. A invencibilidade já não era característica tão latente e o medo crescia mais do que ela gostaria. Por mais doloroso que parecesse, as cicatrizes a seguiriam por toda a vida. Ela cresceu.
Sentiu saudade. Quis voltar, procurar o tempo da simplicidade. Encontrar o ponto perdido dos sonhos que enchiam a alma. Os desejos tinham se transformado, ela sorriu, entendeu que não se anda para trás. Ela descobriu cedo o que queria, ela sempre soube o que queria. Seguiu.